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Dor de crescimento

As dores na pernas estão entre as principais queixas em consultórios que atendem adultos. O cotidiano, os problemas relacionados ao sono, o sedentarismo pode explicar algumas dessas dores. Uma criança queixando-se de dores na pernas também é comum, mas é preciso investigar.

Você sabe o que é Dor de Crescimento?

As queixas de dores em membros são comuns em crianças e, na maioria das vezes, são benignas. As mais frequentes são as dores noturnas recorrentes em membros que são benignas e receberam o nome de “dor de crescimento” no início do século 19. Na realidade, não existe relação com nenhuma fase do crescimento físico, mas este termo foi consagrado pelo uso e ainda é utilizado nos dias atuais, servindo para diferenciá-la de uma série de outras condições que causam dor em crianças. Trata-se de uma condição benigna, de evolução crônica e de curso autolimitado, acometendo 10% a 20% das crianças. Obrigatoriamente, deve ser diferenciada de outras causas de dor presentes em doenças mais sérias.

Como saber se a criança tem dor de crescimento?

Por ser a causa mais comum de dores nos membros, a família frequentemente pensa no diagnóstico de dor de crescimento, mas este é um diagnóstico de exclusão, sendo necessário diferenciá-la de outras causas de dor não benignas.

Quais são os principais sintomas?

O diagnóstico de dor de crescimento se baseia em critérios clínicos. O início das crises tem início geralmente em idade compreendida entre 3 e 6 anos, em ambos os sexos. A história detalhada, obtida com a cooperação da família e da criança, é tipicamente bilateral em 80% dos casos, localizada na parte anterior das coxas, canelas, panturrilhas e atrás dos joelhos, sendo raro o envolvimento dos membros superiores.

Qual o horário e a frequência destas dores?

As dores surgem à noite ou de madrugada, às vezes tão intensas que levam ao choro. Na manhã seguinte, a criança está totalmente assintomática e não apresenta nenhuma limitação física. É rara a ocorrência diária e o intervalo entre as crises varia de alguns dias, semanas ou meses.  Há casos em que os pais notam uma relação entre o aumento de atividade física e a dor, mas isso não é constante.

É comum a história de dores de crescimento em outras pessoas da família?

Na história familiar é possível detectar história de dor de crescimento em 20% a 47% dos parentes de primeiro grau. Apesar de comum, outras causas devem investigadas.

A criança apresenta alguma anormalidade ao exame físico?

O exame físico da criança com dor de crescimento é normal. Ela caminha normalmente, a coluna e as extremidades não apresentam deformidades, nem restrição de movimentos. Não existe fraqueza muscular, nem alteração dos reflexos. A presença de articulações inchadas, massas palpáveis, dor ao movimento dos membros ou à palpação indicam a necessidade de exames de laboratório e de imagem em busca de outros diagnósticos.

Que alterações estarão presentes nos exames laboratoriais?

Nas dores de crescimento, os exames de laboratório são normais. Alterações no hemograma e aumento de valores nos marcadores de inflamação, tais como a velocidade de hemossedimentação e a proteína C reativa, são úteis em detectar inflamação e/ou infecção, afastando o diagnóstico de dor de crescimento.

Os exames de imagem são necessários?

Os exames de imagem nos casos de dor de crescimento são comuns. Radiografias são úteis para investigar neoplasias, infecções e causas traumáticas. Às vezes, a ressonância magnética poderá mostrar uma lesão não detectada na radiografia simples, como a doença de Legg-Perthes-Calvé, fase inicial da osteomielite e neoplasias. Cintilografia óssea pode ser necessária em casos de doença óssea difusa, como a osteomielite crônica multifocal ou metástases de câncer.

Como tratar as dores de crescimento?

O grau de ansiedade será reduzido quando a família compreender e aceitar que as dores são benignas e desaparecerão até o fim da infância. Durante as crises, cerca de 95% das crianças sentem alívio com massagens, enquanto outros, com crises mais demoradas, precisam de analgésicos comuns ou anti-inflamatórios, tais como ibuprofeno.

Quando pensar em outras causas de dor?

Dores em membros podem ter diferentes causas: autoimune/inflamatórias, infecciosas, hematológicas, vasculares, neoplásicas, traumáticas e estruturais, metabólicas e síndromes de amplificação dolorosa.  O pediatra investigará a possibilidade de cada uma delas. Crianças nos primeiros episódios de dor – ou com história não característica de dor de crescimento, ou com alguma alteração no exame físico – deverão ser investigadas quanto a presença de sinais e sintomas compatíveis com outras causas de dor, exames de laboratório ou de imagem.

É possível classificar os diferentes tipos de situação envolvendo a dor?

Sim, é possível. A seguir, classificamos algumas das situações de acordo com suas características:

  • Dor unilateral ou dor que persiste na manhã do dia seguinte devem levar a exclusão de possibilidades, tais como osteomielite, leucemia, tumores ósseos, artrite e outras;
  • Dores que surgem durante o dia e/ou se agravam com a atividade física devem levar a pesquisa de dores de origem mecânica;
  • Dores noturnas podem ocorrer em síndrome de hipermobilidade articular, leucemia e osteoma osteoide;
  • Dores articulares que já estão presentes de manhã, ao acordar, com ou sem inchaço articular, mas evoluindo com restrição de movimentos podem ser indicativas de uma doença autoimune.

Referência: SBP 

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