Open/Close Menu Joseph El-mann
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Durante nosso processo de pesquisa e escrita para o blog, nós, por vezes, nos deparamos com matérias muito bem escritas sobre o assunto em pauta. Procurando indicações de livros, nos deparamos com a escritora canadense Catherine L’Ecuyer, autora de vários livros com abordagem sobre a educação das crianças. Leiam abaixo um texto do site Pensar a Educação sobre o livro da autora chamado Educar na Realidade.

Como educar crianças na era da informação? O que são nativos digitais – e eles existem mesmo? Nossas crianças são melhores que nós em multitasking? Essas são só algumas das perguntas que a escritora e advogada canadense Catherine L’Ecuyer busca responder em seu livro Educar na Realidade, publicado no Brasil pela Edições Fons Sapientiae.

A autora trata com especial atenção os dilemas educacionais próprios do nosso século, como a cada vez mais imponente presença das tecnologias de comunicação e informação, nas mãos das crianças cada dia mais cedo. Outro ponto importante para Catherine e que ajuda a entender esses novos dilemas com mais clareza são os chamados “neuromitos” – informações incertas e até mentirosas que manipulam e exageram informações neurocientíficas. O segundo capítulo do livro – Neuromitos na educação – é todo dedicado a eles, mas a temática atravessa a publicação toda.

Entre os neuromitos mais comuns apontados por Catherine estão “o ser humano usa apenas 10% do cérebro” e outro que diz que “beber menos de 6 a 8 copos de água por dia pode fazer o cérebro encolher”. A autora credita pesquisa realizada pela revista Nature em cinco países, cujos resultados apontam que quase 60% dos professores chineses acreditam no neuromito dos 10% e quase 30% deles no Reino Unido acreditam que beber menos de 6 copos de água encolhe seu cérebro.

Esses são os neuromitos mais absurdos da pesquisa, mas Catherine aponta outros que tem moldado cada dia mais as formas de pais e professores educarem crianças. Um deles é o de que DVDs educativos são mais eficientes que interações presenciais e que as crianças precisam de um nível altíssimo de estímulo constante para aprender – em especial nos primeiros três anos de vida, referidos por alguns como “período crítico”. L’Ecuyer recupera pesquisas de diversas publicações para provar que nada disso funciona tão bem assim. E, pior, essas ainda podem ser as causas de uma deficiência no aprendizado das crianças do século XXI.

A tendência de acreditar que tablets e DVDs são mais capazes de produzir estímulos diversos que nós, humanos, faz com que adultos deleguem suas tarefas de educador a essas máquinas. Para Catherine, isso tira do processo de aprendizagem um elemento fundamental: a interação humana, apontada por ela como um dos principais fatores na formação de crianças, que aprendem a reagir ao mundo de acordo com seus adultos de referência.

A educação na realidade de L’Ecuyer é sobre isso. É sobre, sim, reconhecer que estamos num novo momento histórico com novas tecnologias aparecendo a cada segundo, mas que esperar alguns anos para ofertá-las às nossas crianças não as torna intelectualmente atrasadas. Educar na realidade é inserir as crianças no mundo, coisa que as relações interpessoais fazem com muito mais eficiência que um tablet. “Educar na realidade é educar os nossos filhos, os nossos alunos, com realismo. […] O ponto de partida da educação deve ser a natureza da criança”.

A mensagem de Catherine é clara: as crianças de hoje não têm grandes diferenças em relação às crianças que seus educadores foram. É preciso reconhecer suas necessidades reais de aprendizagem antes de cercá-las de telas touchscreen e chamar isso de um modelo de educação.

Nas 218 páginas do livro, não há resposta definitiva. A única conclusão é que conclusão serve para toda e qualquer criança. Não existe uma receita para uma educação eficiente, diz Catherine. Existe, contudo, uma recomendação: trazer a educação de volta à realidade, descentralizá-la da tecnologia e das “novidades comerciais” para apresentar o mundo de forma mais humana às crianças.

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